Capital estrangeiro sai da B3 e dólar dispara com preocupação com emergentes | Acorda Mercado

Ontem o Ibovespa caiu 0,34%, aos 99.468 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26,1 bilhões, puxado pelo vencimento de opções, sempre na terceira segunda-feira de cada mês.

Apesar de uma melhora no cenário externo, o Brasil, assim como os emergentes, sofreram com os investidores cada vez mais preocupados com uma recessão global e buscando refúgio em ativos considerados mais seguros, dentro dos países desenvolvidos.

A saída de capital externo da B3 vem atingindo altos patamares, o volume de saída já está acima de R$ 19 bilhões, só para ter uma ideia, na crise financeira global em 2008, o volume de saída foi de R$ 16,5 bilhões, considerando o mesmo período, até agosto.

A Argentina contribui para esse cenário negativo, já que não são raros os fundos que investem por regiões, e um dos focos é América Latina, que já sofre com a imagem deixada pela Venezuela e agora passa a sofrer com a Argentina. É só lembrar o quanto a zona do euro sofreu por conta de problemas com a Grécia, ou seja, um país do bloco indo mal, arrasta todos os outros.

Falando em Argentina, hoje tomará posse às 8h30 o novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, que tem uma missão difícil de traçar um plano para reverter a posição de Macri, que praticamente perdeu a eleição, e mais do que isso, em medida desesperadas, vem concedendo subsídios, redução de impostos e outras bondades que devem piorar ainda mais o quadro fiscal do país, sem de fato conseguir mudar o resultado das urnas.

Fica parecendo presidente de time de futebol quando começa a contratar um monte de jogador no final do mandato, para tentar deixar uma boa imagem perante ao clube e aos torcedores, porém aumenta as dívidas, e o próximo presidente vai ter que se virar para pagar essas dívidas e deixando o clube em uma situação difícil e atrasando salário, no caso da Argentina, o calote pode acontecer nos títulos públicos federais.

Ontem a declaração de um membro do FED contribuiu para o cenário ruim no Brasil, após dizer que não necessariamente há necessidade de relaxar mais a política monetária em setembro, ou seja, pode ser que o FED não corte juros, apesar do mercado inteiro precificar uma queda de pelo menos 0,25 p.p., com isso aumentou a pressão do dólar, já que se de fato acontecer de os EUA não derrubarem juros, o Brasil fica cada vez menos competitivo, já que por aqui a expectativa é de um corte de 1 p.p. até o final do ano, chegando a 5%.

Essa pressão foi suficiente para saída de mais capital estrangeiro da bolsa, derrubando o índice brasileiro.

As ações da Vale(VALE3) caíram 0,09%, acompanhando a queda do preço do minério de ferro, em compensação as ações da Petrobrás(PETR4) subiram 0,50%, com o preço do barril de petróleo subindo.

Já as ações de bancos caíram em bloco, com o Itaú(ITUB4) caindo 0,43%, o Bradesco(BBDC4) caindo 1,44%, o Santander(SANB11) caindo 0,75%, o Banco do Brasil(BBAS3) caindo 1,96% e o Banco Inter(BIDI4) despencando mais 5,32%.

Falando rapidamente em Banco Inter, quero aproveitar para fazer um questionamento ao investidor, as ações do banco subiram mais de 190%  em 2019, porém parece que esse movimento é “normal” para os acionistas e ninguém me pergunta o motivo de subir tanto, porém, três dias de quedas fortes, devolvendo parte dos ganhos(mesmo o banco recuando três dias seguidos, no mês as ações estão subindo 13,37%), venho uma enxurrada de perguntas do motivo da queda do Banco Inter.

A ação subir demais, já seria um baita fundamento para a queda, já que muitos investidores aproveitaram a alta para embolsar o lucro, mas se analisar os fundamentos a fundo, vai ver que o mercado está esticando muito os potenciais ganhos das ações, como por exemplo quando saiu o Super App, na semana passada e o mercado precificou de forma exagerada, sendo que não é algo totalmente novo, já temos outras empresas fazendo isso.

Para saber mais dos fundamentos, recomendo a leitura de um artigo feito pela Marilia da Nord Research, que vou deixar o link nos comentários, vale a pena dar uma olhada se você é investidor de Banco Inter.

Voltando para o Ibovespa, as maiores altas do dia foram da B3(B3SA3) subindo 2,24%, do Pão de Açúcar(PCAR4) subindo 1,52% e da Cemig(CMIG4) subindo 1,44%.

Já maiores quedas foram de Via Varejo(VVAR3) caindo 5,47%, Ultrapar(UGPA3) caindo 3,93% e Usiminas(USIM5) caindo 3,28%.

Indo para o dólar, a fala do membro do FED, questionando sobre a necessidade de cortar juros, contribuiu para que o dólar se valorizasse frente aos emergentes. Contra o real não foi diferente, a moeda fechou em R$ 4,06, com alta de 1,58%. Amanhã começam a venda de reservas. Já o euro subiu 1,46%, com alta de R$ 4,51.

Os juros fecharam em alta, com a pressão jogada pelos EUA. O DI jan 2021 subiu de 5,40% para 5,46%, enquanto o DI jan 2025 subiu de 6,88% para 6,93%.

No relatório Focus divulgando ontem, os analistas diminuíram a projeção de IPCA para o final do ano, de 3,76% para 3,71%, aumentaram a projeção de PIB, de 0,81% para 0,83% e aumentaram a projeção do dólar de R$ 3,75 para R$ 3,78. Já a Selic Meta se manteve em 5,00%.

A agenda hoje será fraca, apenas com a CNI divulgando às 10hrs, o índice de confiança do empresário industrial. Além disso teremos reuniões do BC com analistas em São Paulo para preparar o relatório trimestral de inflação(RTI)

Indo para os EUA o dia foi de alta, com o mercado global agindo para conter uma recessão global, inclusive com os EUA dando uma trégua na guerra comercial com a China. O Dow Jones subiu 0,96%, o S&P500 subiu 1,21% e o Nasdaq subiu 1,35%.
Na Europa as bolsas abriram em alta, com Frankfurt subindo 0,13%, Paris subindo 0,26% e Londres subindo 0,57%. A exceção é Madri com queda de 0,29%. Na Ásia as bolsas fecharam em direções mistas, com Tóquio subindo 0,55%, Shanghai caindo 0,11%, Hong Kong caindo 0,23% e Seul subindo 1,05%.

O preço do barril de petróleo voltou a subir, com o esforço global para evitar uma recessão, além disso houve um ataque a um campo petrolífero na Arábia Saudita, com isso diminuindo a oferta da commodity e elevando o preço. O WTI subiu 2,42%, à US$ 56,14, enquanto o brent subiu 1,87%, à US$ 59,74.

O contrato de 250g de ouro, oz1d subiu 1,72%, já as criptomoedas estão em direções mistas nas últimas 24 horas, com o bitcoin subindo 0,31%, a ethereum caindo 0,89% e a ripple caindo 4,03%.

Para finalizar, o IFIX caiu 0,14%, e teve como principal destaque o FII Bradesco Carteira Imobiliária Ativa (BCIA11), com alta de 1,79%.
Ótima terça e bons negócios!

Por Fabio Louzada – Eu me banco!
Analista de Valores Mobiliários (CNPI nº 1888)

Acorda Mercado – Ano II, Edição 234

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